domingo, 12 de abril de 2015

Projeto Visitar - Cultura e história na capital capixaba

Há pouco tempo fui surpreendida com um projeto maravilhoso do Município de Vitória: Projeto Visitar.

Antes de falar do projeto em si, gostaria de recomendar a visita a cada um dos sete (7) pontos históricos que fazem parte do projeto, aproveitando cada minuto de informação dos simpáticos e competentes monitores.

Vamos lá!

O Projeto Visitar é mais uma das formas de incentivo à restauração do Centro de Vitória, levando informações dos pontos turísticos presentes no bairro, além de propiciar uma renovação de informações entre os monitores e cada um dos visitantes.

Fazem parte do projeto os seguintes monumentos: Theatro Carlos Gomes, Igreja do Rosário, Convento do Carmo, Igreja de Santa Luzia, Catedral Metropolitana de Vitória, Convento de São Francisco e Igreja São Gonçalo.

Em cada um dos pontos, como já mencionado, há monitor disponível para informar a origem do monumento, suas transformações, e importância histórica, sem contar no fato do italiano André Carloni ter influenciado em toda a estrutura da cidade. 

Sugiro iniciar seu passeio pela Praça Costa Pereira. Bem em frente está o Theatro Carlos Gomes, que recebeu esse nome em homenagem ao primeiro músico brasileiro que tocou no Teatro Scalla de Milão. O teatro surgiu após um incêndio consumir o Teatro Melpômene - que ficava na entrada da Rua Sete de Setembro. Deste teatro incendiado foram aproveitadas as colunas de ferro que fazem sustentação dos balcões e galerias do Theatro Carlos Gomes.


(imagem de uma das colunas)

Ainda em atividade, o teatro possui capacidade para 470 pessoas e abriga muitas das peças que são apresentadas no estado.

Logo atrás do Teatro você poderá subir as escadarias e se deparar com as altas palmeiras da Igreja Nossa Senhora do Rosário. Essa, para mim, é das mais encantadoras. A Igreja, da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, era frequentada apenas pelos escravos, existindo em sua lateral um ossários - ossos esses que eram retirados do pequeno cemitério em anexo.




A história narra que além de cultuar Nossa Senhora do Rosário, os escravos também queriam prestar culto a São Benedito, por se identificarem tanto na cor quanto na pobreza - o que gerou grande rixa que existia com a ordem do Convento de São Francisco. Até as cores das fachadas de cada igreja são representativas desta história intrigante.




O mastro de São Benedito ainda está lá guardado, mas outro, de menor peso, é utilizado na procissão que ocorre anualmente (em 27 de dezembro).  

Pode parecer controverso (e é para mim!), mas este lustre fica na Igreja de Nossa Senhora do Rosário (que era frequentada apenas por escravos)... Não se sabe quem o doou, mas ele é contrastante com o espaço.



Saindo da Igreja do Rosário, chegue até o Convento do Carmo. O local já abrigou até mesmo quartel militar, retornando a administração da Igreja Católica em 1896. 

No projeto de expansão das ruas do Centro acabou por perder a pequena capela que ficava à esquerda da entrada principal. Mesmo com o triste fato, o Convento não perde todo seu charme. 




Atualmente no local do Convento funciona uma escola, mas a Igreja ainda está em atividade e vários casamentos são realizados, com muito glamour. A parte mais interessante do local está escondida, bem embaixo do tapete! No altar, embaixo do tapete central, fica o túmulo do bispo Dom Fernando de Souza Monteiro, falecido em 1916 (2º Bispo da Diocese do Espírito Santo).



(fica embaixo do tapete!)

Subindo um pouco mais as ladeiras do Centro você chegará ao Convento de São Francisco. Atualmente restou apenas a fachada da igreja conceitual incluindo a torre com sino e as muralhas do antigo monastério.




O convento começou a ser construído no final do século XVI, passando por diversas reformas e funcionava como ponto de encontro e evangelização. Após um tempo, ocioso, abrigou a Residência Episcopal, Rádio Capixaba, Colégio Agostiniano e Residência das Irmãs Carmelitas. Hoje lá funciona a Cúria Metropolitana e entidades ligadas à Igreja Católica.

Informações não oficiais relatam que no local, na época da ditadura, eram realizados encontros contra o regime militar.

Ao lado do pátio do Convento está a pequena Capela de Nossa Senhora das Neves - há uma curiosidade no altar: foram encontrados ossos humanos na parede central do altar. Provavelmente um resquício do período em que era capela mortuária.




Só para lembrar, o conflito existente relacionado a São Benedito era justamente com o Convento de São Francisco.

Para chegar até o próximo ponto do projeto você passará na frente da Capela Santa Luzia (que também faz parte do Projeto Visitar). A pequena capela está no alto da pedra e funciona apenas como ponto turístico. Não há missas ou qualquer celebração. Ela era a capela da fazenda de Duarte Lemos - que recebeu a ilha como doação do primeiro donatário da Capitania do Espírito Santo.

Funcionou como Museu de Arte Sacra, Galeria de Arte e Pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo e escritório técnico do IPHAN.

Um dos pontos mais interessantes é observar que a nave da igreja é mais larga e mais alta que a capela mor.

Aqui duas opções surgem: seguir para a Igreja São Gonçalo ou para a Catedral Metropolitana. Minha sugestão é seguir para a Igreja São Gonçalo.

Esta é considerada, pela crença popular, a "Igreja dos casamentos duradouros e felizes" - é uma das minhas prediletas. Mas a maior curiosidade se refere ao fato de ser uma igreja particular. Apesar de manter vínculo com a arquidiocese de Vitória desde 1932 recebeu o título de Arquiconfraria de Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção.




A Igreja de São Gonçalo foi catedral do bispado até 1933.

Siga até a Catedral Metropolitana de Vitória - último ponto do Projeto Visitar e um dos principais pontos turísticos da cidade e do estado. Magnífica, imponente, graciosa... são alguns dos adjetivos que passam à mente ao visualizar a catedral.

Construída no local da antiga Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória, sua construção perdurou por aproximadamente 50 (cinquenta) anos, sendo concluída na década de 1970.


(detalhe de uma das torres)


Na Catedral são realizadas diversas manifestações religiosas, mas atualmente (abril/2015) encontra-se fechada para reforma.

OBS: Enquanto a Catedral Metropolitana de Vitória se encontra em reforma, o "carimbo" do Projeto Visitar é efetivado na Capela Santa Luzia.

Quero parabenizar o Município de Vitória pelo projeto, e convidar a todos a conhecê-lo! 

Serviço:
Há visitas monitoradas de terça a domingo, das 09:00h às 17:00h.
Site do Município de Vitória: www.vitoria.es.gov.br/turismo
Receba seu Passaporte Cultural no primeiro ponto que visitar.

As informações foram colhidas através das visitas e oitiva dos monitores, e dos panfletos fornecidos em cada ponto do projeto.    

NÃO É PUBLIEDITORIAL.

Nenhum comentário:

Postar um comentário